terça-feira, 19 de junho de 2018

Pensamentos Soltos # 122

fotografia de João Benjamim 

Por aquele seu jardim algumas flores haviam brotado...
Mas, as leis do Universo decidiram plantar uma que lhe parecia tão grandiosa e bela que correu, instintivamente, na sua direcção desejando agarrar, cheirar e senti-la nas suas mãos… 
Um dia uma voz sussurrou-lhe ao ouvido que corria por uma miragem… 
Convidou-a a sentar e contemplar…
Diante da tamanha força e inteligência da natureza, os seus olhos perderam-se, as suas mãos largaram, o coração caiu aos seus pés e de joelhos reverenciou o amparo, aconchego e sustento do chão, que em silêncio lhe ofereceu a mão…

(Sónia Andrade)

terça-feira, 10 de abril de 2018

Reflexão # 112 - Nós e a Corrupção

imagem retirada da internet 

Faz muito tempo que não vejo televisão. Cá em casa existe uma e é para total usufruto da filha. No entanto, acompanho minimamente, escutando, lendo, aqui e acolá, as tristezas e alegrias que se vivem no mundo. É bem verdade que a tendência é exacerbar o que é ruim gerando em nós um constante estado de pânico, medo que parece alavancar e sustentar uma sociedade cujo desejo é viver bem rápido e de preferência satisfazendo os desejos que acalentam as nossas dores, frustrações, medos, ansiedades, sem refletir com alguma profundidade sobre eles, pois isso pode roubar o tempo que é precioso, ainda que internamente miserável.
Hoje reflectia sobre corrupção e como de verdade todos nós o somos. Se ousarmos olhar para a natureza dos fenómenos, saberemos que não estamos assim tão separados deles e que o resultado externo das acções do ser humano não são mais do que a visão de si mesmo. Estamos corrompidos, vivemos corrompidos e alimentamos esse estado de corruptos em nós.
Os valores da sociedade actual só sobrevivem nessa vibração. A democracia é fictícia, a estrutura organizacional, as hierarquias e todas as tentativas de impor regras para a boa gestão de um país e até mesmo de uma casa. Dentro de casas, instituições existem seres humanos, crianças físicas, crianças emocionais e mentais que lutam por sobreviver à ignorância da sua existência, propósito de vida.
Enquanto cada um de nós não reconhecer o corrupto que há em si, com a dor, lamento, amor, compaixão que merece, abraçando com humildade os seus erros e limitações, jamais encontrará no mundo lá fora a paz, a honestidade, sinceridade, alegria, prazer e bem-aventurança de viver, criar, servir.
As revoltas, manifestações, indignações precisam acontecer dentro. Resgatar a força interna e a coragem para fazer diferente diante das pequenas corrupções a que todos estamos sujeitos por conta das nossas limitações e condicionamentos. Viver com o dedo apontado, elegendo e reelegendo alguém digno de tomar conta da insanidade, imaturidade que cada um carrega não parece a solução para os problemas do mundo. Talvez se precise parar para pensar que não é o mundo lá fora que está doente, mas sim cada um de nós. Talvez o maior e mais complexo compromisso não seja acabar com as guerras mas sim aprender a largar as armas. Infelizmente talvez tenhamos de assistir a inúmeras barbaridades, atrocidades que cortam o coração mas que elas nos possam servir de introspeção. E para aqueles que creem ser uma perda de tempo porque o tempo urge, a vida é curta, a morte é certa, a sua vida já passou…
HarihOm
Sónia A.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Pensamentos Soltos # 121

imagem retirada da internet 

O que a nossa criança interna pede de nós é um olhar sobre ela sem julgamento ou juízo de valor. 
É uma escuta ativa e presente das suas necessidades. Elas são básicas, fundamentais e de uma profundidade que nos convidam a um abraço profundo, mesmo que a compreensão não seja clara. Reconhecimento, valor, amor incondicional, espaço para ter voz, escuta, é um presente que aprendemos a desembrulhar com ela. Nem sempre a nossa conduta externa vai parecer coerente com o que é estereotipado, politicamente correto e muitas das vezes, talvez sujeitos a uma avaliação e julgamento externo de que frios ou egocêntricos. Se estivermos sintonizados com esse espaço em nós, que nos pede amor, atenção e reconhecimento, estaremos fortes e firmes para receber esse movimento com a mesma doçura, compreensão e disponibilidade interna com que decidimos nos abraçar. E assim vamos poder experienciar uma real alquimia que se estenderá aos nossos órgãos dos sentidos, à nossa forma de caminhar e olhar o mundo, ao nosso modo de falar, interagir, relacionar, escolher e decidir. 
A leveza, a alegria, o amor, satisfação que conquistamos é a mesma daquela criança que sente a sua mão segura pelo pai e mãe que se comprometem a conduzi-la diante dos seus gostos, aversões, medos, sonhos, desejos, dificuldades.
A vida transforma-se numa tela onde posso pintar e contar uma história, expressando uma obra de arte...

(Sónia Andrade)

terça-feira, 20 de março de 2018

Pensamentos Soltos # 120

imagem retirada da internet 


A inveja, a cobiça, o ciúme não é mais do que uma identificação com um conjunto de crenças que parecem aliviar a nossa carência e necessidade por nos reconhecermos fontes de amor. 
Esses sentimentos, emoções são a expressão da ignorância que a mente carrega e que a conduz num conjunto de acções e reações que estimulam o jogo de opostos, o conflito interno e a sensação de insuficiência. 
A tendência é querer conquistar, acumular outras coisas, situações, circunstâncias, pessoas, para que possa sobreviver e de algum modo defender-se e proteger-se do choque de dor de se ver e sentir para lá de tudo isso. 
É um processo complexo, visceral, cujo ego é convidado a uma entrega, a um amparo, amor, compreensão, doçura que tem em si associado o vislumbre das dores, traumas, fantasias, ilusões, vícios no qual se estruturou, ganhando a voz e o papel principal.
Profundamente, todas essas emoções são meras crianças feridas que cresceram a olhar o mundo de um jeito muito próprio, único e que o interpretaram à luz do que viram e escutaram ao seu redor. Formaram um conjunto de valores, gostos, aversões que alimentou conceitos e preconceitos de família, amigos, amor, vida, certo, errado, bonito, feio, bom, mau.
Nós, fontes de amor, somos a sua expressão limitada e condicionada. Por essa razão podemos sentir no peito dor, porque ela não é mais do que amor a vibrar. 

Sónia Andrade

domingo, 11 de março de 2018

Pensamentos Soltos # 119

imagem retirada da internet 

Quando decidimos realizar um mergulho profundo sobre nós mesmos, auto-responsabilizando-se pelas suas feridas, dores, traumas, condicionamentos e limitações, saberemos quão complexo e delicado é lidar com essa realidade. Saberemos como estamos carentes de amor-próprio, atenção e cuidado consigo mesmo. Não mais estaremos pedindo ao mundo que alivie os nossos desconfortos e portanto saberemos colocar os nossos limites e procurar uma acção que vá ao encontro das nossas necessidades, momento que vivemos. Não mais queremos desperdiçar tempo em ser agradado ou agradar. Queremos apenas conquistar espaço interno para ser e assim poder permitir de facto que os outros também o sejam. Não é um processo intelectual ou montado à luz de ideais e conveniências. É um processo visceral de quem deseja renascer para aprender a viver com verdade e a morrer com dignidade.
(Sónia Andrade) 


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Uma História de Amor # 5



Meu amor,
Caminhamos lado a lado, de mãos dadas…
Longe de saber quem és de verdade…
E como a cada instante te apresentas diante de mim…
Sei apenas que me roubas um sorriso toda a vez que sinto o calor que sai da tua boca, para sussurrar baixinho ao meu ouvido, um dialecto que não aprendi…
As palavras? Sempre parecem escassas…
O silêncio? Nosso maior confidente…
A força do abraço? Nossa presença…
O sal das lágrimas? Emoções que bailam…
O calor dos corpos? Fogo que queima e transforma…
O êxtase do coração? Nossa ousadia de se largar diante do mistério de nada conhecer ou saber para saborear o doce amargo de viver…

(Sónia Andrade)


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Uma História de Amor # 4



Meu bem,

Aprecio quando chegas com a firmeza, calor, sorriso interno de quem não se abala com os episódios de uma mente em maturação e sentas para escutar, amparar, sem me condenar…

Aprecio o respeito e a doçura, de não te propores a distrair-me… tão pouco minimizar a minha força de levantar, toda a vez que possa cair…

Aprecio a amizade silenciosa, presente que não passa a mão pela cabeça nem ousa dizer que tudo está perfeitamente bem…

Aprecio a compassividade, a disponibilidade dos teus olhos, braços para sentir os meus dramas, fantasias e até mentiras, sem tirar-me a graça…

Aprecio o teu permanente convite para uma dança que me traz o prazer de viver e também a dor de existir…

Aprecio o teu amor incondicional que aquece o peito diante da frustração de sentir, tantas vezes, as nossas mãos e olhar distantes…

Aprecio a tua leveza e doçura que não exige, que não troca, que não domina, manipula…
Porque tu sabes, meu bem…. Que o maior e mais belo jogo de todos os jogos de amor, é desaprender a jogar...

                                          (Sónia Andrade)