sábado, 14 de julho de 2018

Pensamentos Soltos # 123

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Não é o mundo que grita, o dedo que aponta, a voz que acusa ou acção que vinga…
Lá fora não tem nada se dentro há amparo, abraço, amor suficiente para se acolher e reconhecer…
Assim sendo, o movimento do mundo e suas pessoas, uma bela pintura, que rindo e chorando, aprendemos a apreciar…

Sónia Andrade

Uma História de Amor # 6

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Meu amor,
Primeiro ajuda-me a cair…
Depois deixa-me erguer…
E no final, permite-me em teus braços permanecer…

(Sónia Andrade)

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Reflexão 113 - Sentir-se em Casa? Como assim?

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A dor assim como o amor são dos fenómenos mais complexos de se entender.
Na verdade um não é dissociado do outro e toda a vez que queremos fugir à dor estamos a fugir ao amor…

O que nos dói de facto? Nós ousamos responder a esta questão toda a vez que o peito aperta, o desconforto espreita?

O que é o movimento do mundo, das pessoas, as situações, as circunstâncias senão a tentativa de descobrir o amor? A tentativa de aprender a expressá-lo através deste corpo, mente, fala, gestos, tão limitados em si mesmos…

O que quero levar de facto desta vida?

Conseguirei eu ajoelhar-me diante dos meus próprios pés e reverenciar tudo que me foi oferecido para poder crescer? Conseguirei eu agradecer? E no meio da adversidade? Pode o meu coração fortalecer-se diante de um corpo e mente que se rendem à sabedoria do devir?

A partir de que lugar eu ergo os alicerces da casa que gostaria habitar?
E de onde vem esse senso de sentir-se em casa? O que é sentir-se em casa?
Quantas vezes nós estamos em família sem conseguir sentir-nos em casa? O problema é a família? O problema é a casa?

Se assim fosse talvez mudar de casa e de família resolvesse a questão… mas, parece que o fenómeno é mais complexo do que isso… não tem casa, não tem família que nos ofereça tal grandiosidade. E talvez seja preciso muito orgulho e arrogância para pensar o contrário, roubando a possibilidade de nos ofertarmos à casa e família de forma despretensiosa, abrindo um real espaço para que tanto uma como outra sejam na exacta forma e medida que se apresentam.

HarihOm
Sónia Andrade

quinta-feira, 28 de junho de 2018

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Ele pegou na mão dela…
Levou-a de olhos vendados…
Ensinou-a a reconhecer a firmeza e amparo do chão…
Que abre as portas ao coração…
 Para se despir da ilusão…

Brincou um pouco com ela…
 Apontando para a quimera…
 Que a sua alma tanto quisera…

Sentou-a, desvendando-a daquele velho tecido usado…
Convidando-a a reconhecer um tempo acabado…
E seguir em frente sem um olhar amargurado…

A dor chegou…
A voz calou…
Pensamento o vento levou…
E a saudade espreitou…
De um amor que não tocou…

A alma se despediu da esperança impostora...
Daquela intuição abusadora...
Para se entregar à vida de lavoura…

Hoje dá a mão ao devir...
Sem ter de ao amor resistir...
Saboreando o prazer de existir...
Sem esperar o amor por vir...
Ou a verdade por sentir…

(Sónia Andrade)

terça-feira, 19 de junho de 2018

Pensamentos Soltos # 122

fotografia de João Benjamim 

Por aquele seu jardim algumas flores haviam brotado...
Mas, as leis do Universo decidiram plantar uma que lhe parecia tão grandiosa e bela que correu, instintivamente, na sua direcção desejando agarrar, cheirar e senti-la nas suas mãos… 
Um dia uma voz sussurrou-lhe ao ouvido que corria por uma miragem… 
Convidou-a a sentar e contemplar…
Diante da tamanha força e inteligência da natureza, os seus olhos perderam-se, as suas mãos largaram, o coração caiu aos seus pés e de joelhos reverenciou o amparo, aconchego e sustento do chão, que em silêncio lhe ofereceu a mão…

(Sónia Andrade)

terça-feira, 10 de abril de 2018

Reflexão # 112 - Nós e a Corrupção

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Faz muito tempo que não vejo televisão. Cá em casa existe uma e é para total usufruto da filha. No entanto, acompanho minimamente, escutando, lendo, aqui e acolá, as tristezas e alegrias que se vivem no mundo. É bem verdade que a tendência é exacerbar o que é ruim gerando em nós um constante estado de pânico, medo que parece alavancar e sustentar uma sociedade cujo desejo é viver bem rápido e de preferência satisfazendo os desejos que acalentam as nossas dores, frustrações, medos, ansiedades, sem refletir com alguma profundidade sobre eles, pois isso pode roubar o tempo que é precioso, ainda que internamente miserável.
Hoje reflectia sobre corrupção e como de verdade todos nós o somos. Se ousarmos olhar para a natureza dos fenómenos, saberemos que não estamos assim tão separados deles e que o resultado externo das acções do ser humano não são mais do que a visão de si mesmo. Estamos corrompidos, vivemos corrompidos e alimentamos esse estado de corruptos em nós.
Os valores da sociedade actual só sobrevivem nessa vibração. A democracia é fictícia, a estrutura organizacional, as hierarquias e todas as tentativas de impor regras para a boa gestão de um país e até mesmo de uma casa. Dentro de casas, instituições existem seres humanos, crianças físicas, crianças emocionais e mentais que lutam por sobreviver à ignorância da sua existência, propósito de vida.
Enquanto cada um de nós não reconhecer o corrupto que há em si, com a dor, lamento, amor, compaixão que merece, abraçando com humildade os seus erros e limitações, jamais encontrará no mundo lá fora a paz, a honestidade, sinceridade, alegria, prazer e bem-aventurança de viver, criar, servir.
As revoltas, manifestações, indignações precisam acontecer dentro. Resgatar a força interna e a coragem para fazer diferente diante das pequenas corrupções a que todos estamos sujeitos por conta das nossas limitações e condicionamentos. Viver com o dedo apontado, elegendo e reelegendo alguém digno de tomar conta da insanidade, imaturidade que cada um carrega não parece a solução para os problemas do mundo. Talvez se precise parar para pensar que não é o mundo lá fora que está doente, mas sim cada um de nós. Talvez o maior e mais complexo compromisso não seja acabar com as guerras mas sim aprender a largar as armas. Infelizmente talvez tenhamos de assistir a inúmeras barbaridades, atrocidades que cortam o coração mas que elas nos possam servir de introspeção. E para aqueles que creem ser uma perda de tempo porque o tempo urge, a vida é curta, a morte é certa, a sua vida já passou…
HarihOm
Sónia A.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Pensamentos Soltos # 121

imagem retirada da internet 

O que a nossa criança interna pede de nós é um olhar sobre ela sem julgamento ou juízo de valor. 
É uma escuta ativa e presente das suas necessidades. Elas são básicas, fundamentais e de uma profundidade que nos convidam a um abraço profundo, mesmo que a compreensão não seja clara. Reconhecimento, valor, amor incondicional, espaço para ter voz, escuta, é um presente que aprendemos a desembrulhar com ela. Nem sempre a nossa conduta externa vai parecer coerente com o que é estereotipado, politicamente correto e muitas das vezes, talvez sujeitos a uma avaliação e julgamento externo de que frios ou egocêntricos. Se estivermos sintonizados com esse espaço em nós, que nos pede amor, atenção e reconhecimento, estaremos fortes e firmes para receber esse movimento com a mesma doçura, compreensão e disponibilidade interna com que decidimos nos abraçar. E assim vamos poder experienciar uma real alquimia que se estenderá aos nossos órgãos dos sentidos, à nossa forma de caminhar e olhar o mundo, ao nosso modo de falar, interagir, relacionar, escolher e decidir. 
A leveza, a alegria, o amor, satisfação que conquistamos é a mesma daquela criança que sente a sua mão segura pelo pai e mãe que se comprometem a conduzi-la diante dos seus gostos, aversões, medos, sonhos, desejos, dificuldades.
A vida transforma-se numa tela onde posso pintar e contar uma história, expressando uma obra de arte...

(Sónia Andrade)