quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Reflexão #114 - O Poder Da Imagem...

imagem retirada da internet 


Quando olhamos uma imagem de Lakshmi não invejamos a sua beleza, riqueza, prosperidade, abundância. Os nossos olhos são um encontro com a contemplação do imenso que habita o peito e a apreciação da natural limitação, ignorância que dá forma à vida. Ela está lá, sempre presente e de joelhos diante do altar, se eleva o coração para chorar tudo o que é preciso ser chorado. As lágrimas que correm pelo rosto são água, sal que purificam e a força que transforma. Toda a imagem é meio de comunicação, expressão e um espelho para perceber a visão de nós mesmos. Passamos a maior parte do tempo a querer ser uma imagem que admiramos do lado de fora e em nome de nos ofertarmos a estima, o amor, reconhecimento que carecemos. Vivemos tentando aprimorar o corpo, o intelecto, a conquistar, possuir, galgar, entretidos em poder chegar ao espaço e lugar que aquela imagem desperta em nós. Assim nos vamos inspirando uns nos outros, dançando de roda em roda, motivando-nos num caminho de redescoberta e resignificação da vida. Quando olhamos a imagem de Krishna e Rada e nos emocionamos com o que ela nos transmite, não estamos necessariamente à procura de um Krishna ou de uma Rada na nossa vida mas sim o espaço em nós para percepcionar a delicadeza e beleza da partilha, do companheirismo, da vulnerabilidade, força e firmeza de quem se nutre de amor e por amor. Essa pequena palavra é complexa de ser compreendida, reconhecida e necessita de um mergulho às profundezas. A todo o momento é colocado nas nossas mãos essa possibilidade. No entanto perdemo-nos nos ruídos, imagens, desperdiçando a oportunidade de fazer deles o trampolim, impulso para se voltar na direcção, cujo rumo é “casa”.  
Assim deveria ser quando admiramos, contemplamos uma imagem, mensagem nas redes sociais, por exemplo. O que ela desperta em nós? O que nos conta de nós? Porque tentar adivinhar o que conta dos demais é perfeita loucura e nada mais do que o reflexo de si mesmo.
De verdade ninguém quer parecer ou ser um outro. Ninguém quer ter a vida do outro. Isso é mentira e mero mecanismo de quem pretende alimentar uma espécie de ratinho numa roda.
Todos, sem excepção, quer a sua vida, quer ser ele mesmo. E é tanta atracção, estimulo, dinâmica, informação, que ficamos tontos, perdidos e muitas vezes caímos para o lado porque não tem como impedir um jogo que é existencial e ao nível consciente e subconsciente.
HarihOm
Sónia A.   


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