sexta-feira, 6 de julho de 2012
A transformação e o Yoga
Hoje consigo ter consciência da minha alta tendência em romantizar os factos da vida. Aprender a viver desapaixonadamente é algo que não acontece da noite para o dia. E tal como o romance, nem sempre há lugar para um final feliz. E isso traz, para este ser que continua sua aprendizagem, algumas sensações e emoções desagradáveis.
Meu sádhna de hoje fez-me perceber que é possível sim, adotar uma outra atitude interior perante os factos da vida. Apenas devo escolher a que é certa. Se a transformação física depende das intenções corretas, da persistência, paciência, da aceitação, da compaixão consigo mesma, de estratégia, inteligência e determinação também a transformação interior disso depende!
As emoções, os sentimentos e pensamentos habitam o meu Ser. Reprimi-los, julgá-los negativamente porque não vão ao encontro do que é supostamente o certo é calar a verdade!E não é isso que pretendo...
A prática das técnicas do yoga desenvolvem isso mesmo! A capacidade de ser consciente de si. Estar presente e atento a cada momento, a cada fase da vida! Não queremos apenas o corpo forte e flexível, a pele bonita e a voz agradável! Queremos nos libertar das amarras internas criadas no tempo. Queremos ser plenos! Queremos que os sentimentos, pensamentos e emoções estejam em harmonia com a ordem das coisas, da ação!
Outrora e antes de experienciar o yoga vivia numa verdadeira montanha russa de emoções com a diferença de não as aceitar! Meus dias eram uma espécie de guerra fria! Insatisfeita, deprimida, ansiosa, com medo, fechada no meu mundinho de ideias e pensamentos mas... inconformada, sonhadora e com enorme vontade de me permitir saber o que é viver com intensidade, felicidade e paz!
Faz um ano este mês que a verdadeira transformação começou...o meu corpo não é o mesmo...a minha respiração não é a mesma, minhas convicções mudaram, meus conceitos, os meus olhos enxergam diferente, meus ouvidos escutam diferente, o meu tacto não é o mesmo, os meus valores mudaram!
Deixei para trás um maço de cigarros por dia, a garrafa de whisky numa noite, a lasanha de carne, a feijoada com pé de porco, o grão de bico com mãozinha de vaca, as horas intermináveis em frente à TV, as horas intermináveis em frente ao espelho do quarto a dançar e cantar, as horas intermináveis apenas a sonhar e fantasiar!
O Yoga ensinou-me e continua a ensinar o que é viver aqui e agora, o que é agir, o que é fazer acontecer! Ensina o que é respeitar-me e respeitar!
Faz todo o sentido caminhar por esta trilha recheada de obstáculos e dificuldades!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
A charada da meditação
Nas primeiras vezes que tentei sentar para meditar as dores fisicas tomaram conta dos meus pensamentos! Hoje, e com o corpo um pouco mais forte, posso vivenciar a experiência de uma outra forma. Sinto como se fizesse uma viagem pelos meus pensamentos, pelas minhas emoções, pelos meus sentimentos. Não consigo ficar pela observação...tendo a questionar cada uma das coisas! Especialmente as que me trazem conflito, confusão e aflição. As que me roubam a paz, a tranquilidade. Dou por mim numa espécie de diálogo comigo mesma!
Loucura?
Bem...é nestas alturas que sinto necessidade de esclarecimento, de conhecimento...
O que se pretende com a meditação?
Será que aniquilar estes pensamentos, estes sentimentos elimina meus desejos, meus sofrimentos?
Mas como os posso evitar? Concentrado-me na respiração, concentrando-me num qualquer barulho?
Não dá! O que estou a fazer de errado? Pergunto!
E é aí que surge a necessidade de conhecer, de saber! Ótimo que existe internet, que existem espaços como o yoga.pro.br, que existem outros "loucos" que buscam respostas!
Coloquei no google "meditação por Pedro Kupfer" e logo me apareceu uma série de artigos!
Pois bem, vou partilhar convosco, que me estão a ler, algumas frases esclarecedoras:
Loucura?
Bem...é nestas alturas que sinto necessidade de esclarecimento, de conhecimento...
O que se pretende com a meditação?
Será que aniquilar estes pensamentos, estes sentimentos elimina meus desejos, meus sofrimentos?
Mas como os posso evitar? Concentrado-me na respiração, concentrando-me num qualquer barulho?
Não dá! O que estou a fazer de errado? Pergunto!
E é aí que surge a necessidade de conhecer, de saber! Ótimo que existe internet, que existem espaços como o yoga.pro.br, que existem outros "loucos" que buscam respostas!
Coloquei no google "meditação por Pedro Kupfer" e logo me apareceu uma série de artigos!
Pois bem, vou partilhar convosco, que me estão a ler, algumas frases esclarecedoras:
- "os pensamentos, por si sós, não produzem sofrimento. A pessoa que acha que deve parar de pensar para parar de sofrer, acredita que pensar é sofrer. No entanto, a origem real do sofrimento é a crença de que somos o pensamento, ou de que ser é pensar."
- "Porém, até mesmo na hipótese de que o sofrimento fosse causado pelo pensar, a solução não estaria em parar de pensar. Parar de pensar indefinidamente, no melhor dos casos, irá me tornar uma espécie de vegetal, incapaz de me comunicar, sentir emoções ou crescer interiormente."
- "Poderia eu dizer, nesse caso, que estou tendo uma vida plena? Pensamentos equivocados, como achar que somos insignificantes ou indignos de felicidade não se resolvem parando de pensar, mas corrigindo esses pensamentos e substituindo-os por outros que sejam corretos. Será mesmo que eu sou indigno de ter felicidade? Esse tipo de questionamento, com sua resposta adequada, é o de fato que resolve o sofrimento."
- "Na prática, o ideal é chegar a bons termos com a nossa própria mente. Isso significa fazer, eventualmente, um acordo de paz com ela."
- "quando sentamos para meditar, damos à nossa mente a liberdade para que ela seja como é, mas nos damos o direito de nos concentrar no tema que escolhemos para aquela meditação."
- "a solução para esta charada não está em tentar manter a mente vazia, mas em perceber o Eu invariável que somos, presente em todos os momentos, antes, durante e depois de cada pensamento. Quando compreendemos que os pensamentos não escondem o Eu, mas que ele permeia todos os conteúdos, o conflito nascido da ideia de deixar a mente em branco, simplesmente desaparece."
quarta-feira, 27 de junho de 2012
De "olhos" bem abertos...
Um dia o meu professor sugeriu, num curso intensivo, que nós estabelecessemos um compromisso com nós mesmos e tentassemos cumpri-lo até ao fim da jornada. Lembro que inclusive escrevi num relatório diário de prática.
Como a minha tendência sempre foi desistir e fugir de tudo o que provocasse sentimentos de insegurança, frustação, medo, complexos de inferioridade e afins, estabeleci que não iria abandonar o caminho!
Foi uma experiência bem intensa que me colocou frente a frente com o que sentia e pensava. A proposta seria olhar com verdade, sem julgamentos, sem repressões, aceitando e compreendendo cada momento.
Dia após dia sentia que diminuia um tal de conflito interno, como se estivesse a estabelecer um pacto de paz comigo mesma.
O curso terminou mas o caminho não! Na verdade ele serviu para me capacitar de ferramentas, para me dar a conhecer por onde é o caminho e quais os obstáculos que irei encontrar. Serviu para perceber a importância de desenvolver a capacidade de nos olhar-mos com a maior verdade e integridade possível. Serviu para compreender a importância de uma atitude correcta. Só assim acontece a transformação, a evolução.
Os dias têm passado...
A cada novo dia que estendo o tapete e permito estar com o corpo, os pensamentos e emoções mais descubro, mais conheço! A atenção está presente como nunca! E isso permite "olhar nos olhos" tudo o que quero mudar e transformar. A diferença relativamente aos tempos de outrora é a compreensão de que isso apenas depende de mim! É a maturidade para aceitar o tempo e as dificuldades! É a sabedoria para viver sem criar expectativas ou ilusões! É a tranquilidade para aceitar! É a determinação para superar!
É essa atitude de respeito, amor e entrega que faz do yoga algo tão belo, valioso e interessante.
Hoje sinto vontade de conhecer e aprender não porque me impõem, mas porque quero e necessito responder a questões!
Hoje o meu sádhana contribuiu para esta reflexão... :)
Namastê
Como a minha tendência sempre foi desistir e fugir de tudo o que provocasse sentimentos de insegurança, frustação, medo, complexos de inferioridade e afins, estabeleci que não iria abandonar o caminho!
Foi uma experiência bem intensa que me colocou frente a frente com o que sentia e pensava. A proposta seria olhar com verdade, sem julgamentos, sem repressões, aceitando e compreendendo cada momento.
Dia após dia sentia que diminuia um tal de conflito interno, como se estivesse a estabelecer um pacto de paz comigo mesma.
O curso terminou mas o caminho não! Na verdade ele serviu para me capacitar de ferramentas, para me dar a conhecer por onde é o caminho e quais os obstáculos que irei encontrar. Serviu para perceber a importância de desenvolver a capacidade de nos olhar-mos com a maior verdade e integridade possível. Serviu para compreender a importância de uma atitude correcta. Só assim acontece a transformação, a evolução.
Os dias têm passado...
A cada novo dia que estendo o tapete e permito estar com o corpo, os pensamentos e emoções mais descubro, mais conheço! A atenção está presente como nunca! E isso permite "olhar nos olhos" tudo o que quero mudar e transformar. A diferença relativamente aos tempos de outrora é a compreensão de que isso apenas depende de mim! É a maturidade para aceitar o tempo e as dificuldades! É a sabedoria para viver sem criar expectativas ou ilusões! É a tranquilidade para aceitar! É a determinação para superar!
É essa atitude de respeito, amor e entrega que faz do yoga algo tão belo, valioso e interessante.
Hoje sinto vontade de conhecer e aprender não porque me impõem, mas porque quero e necessito responder a questões!
Hoje o meu sádhana contribuiu para esta reflexão... :)
Namastê
terça-feira, 29 de maio de 2012
Reflectindo...
Sempre gostei de associar uma imagem aos posts :). A formiga trabalha e esforça-se o verão inteiro para ter o que comer no inverno nós praticamos uma vida inteira para descobrir e sentir a cada novo dia um pouquinho da liberdade...
Hoje e após uma prática especialmente difícil percebo que efetivamente é importante aceitar, confiar, entregar e agradecer.
Hoje e após uma prática especialmente difícil percebo que efetivamente é importante aceitar, confiar, entregar e agradecer.
E é graças à prática do ásana que esse entendimento chega
até mim.
Há dias que os nossos pensamentos são mil, o corpo dói e
desobedece! Por breves instantes tendes a questionar o rigor, a exigência, a
disciplina! Porquê me submeter a tal?!
E quando estás quase para desistir, levantar e abandonar o
tapete, persistes!
No fim apenas queres o teu silêncio, a tua verdade e perceber
um pouco mais de ti.
Cada dia uma prática única apesar da mesma sequência de
posturas.
Talvez seja por isso tão importante praticar há mesma hora,
seis vezes por semana com toda a intenção possível.
Como perceber as minhas tendências, os meus limites? Como
desenvolver a capacidade de discernir, agir e pensar fazendo apenas o que é
comodo, confortável e prazeroso? Como acontece a superação, a transformação? Como
me compreender e conhecer se não me colocar à prova? Como aprender a ouvir o
meu corpo, a minha voz interior? Como sentir a minha força interior? Como
descobrir a minha intuição?
E algumas pessoas perguntam: Mas isso não é te martirizares?
Obvio que não! Há toda uma atitude mental que não permite
fazer de uma prática austera um sofrimento, um ato de violência a si mesmo!
A cada dia que passa, mais entendo as palavras de Sri. Pattabhi Jois…practice, practice,
practice and all is coming…
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Praticar com desapego = Paz, alegria e felicidade
A vontade de conhecer, saber e compreender provém da auto disciplina, da austeridade sobre ti mesma. Por esta razão é fundamental a rotina de uma prática. Com ela surgem naturalmente todos os obstáculos de uma mente instável. Observando os diversos pensamentos, sentimentos e emoções identificamos nossas tendências e de que forma elas influenciam o nosso equilíbrio, a nossa paz e harmonia interior. Esse auto conhecimento vai permitir o controle da mente.
Sem sádhana não há yoga! E esse sádhana consiste no quê?
É bom ter por perto os Sutras do Yoga de Patanjali! Ler, ler e ler quantas vezes forem necessárias para clarear e direcionar o nosso pensamento!
Hoje encontrei este video de Tim Miller que fala sobre abhyasa e vairagya, prática e desapego!
Foi bom ouvi-lo e relembrar o que o nosso professor já nos havia dito!
Praticar sem expectativas, com desapego a resultados, com desapego ao que somos e para onde vamos!
Só experienciando podemos avaliar quão desafiante é tal tarefa! E isto é yoga em prática!
Sem sádhana não há yoga! E esse sádhana consiste no quê?
É bom ter por perto os Sutras do Yoga de Patanjali! Ler, ler e ler quantas vezes forem necessárias para clarear e direcionar o nosso pensamento!
Hoje encontrei este video de Tim Miller que fala sobre abhyasa e vairagya, prática e desapego!
Foi bom ouvi-lo e relembrar o que o nosso professor já nos havia dito!
Praticar sem expectativas, com desapego a resultados, com desapego ao que somos e para onde vamos!
Só experienciando podemos avaliar quão desafiante é tal tarefa! E isto é yoga em prática!
quarta-feira, 11 de abril de 2012
O que é afinal prática de yoga?
Olho para esta imagem e lembro "Bom dia porquê? Se hoje não estendi o meu tapete e realizei a minha prática!"
Por conta de algumas circunstâncias da vida a rotina da minha prática pessoal teve de ser sacrificada.
A reação a tal facto levou-me a questionar atitudes e valores!
Por momentos dei por mim a esquecer ahimsa…as palavras, ações e pensamentos acabaram por ganhar características rudes e egoístas. Perguntei para mim mesma que raio de yogi és, se não consegues praticar um princípio tão básico como ahimsa?! Afinal o que é praticar yoga? Resume-se a estender um tapete e realizar uma sequência de posturas? Qual tem sido afinal a minha verdadeira motivação?
Olhando com a maior verdade possível para mim mesma, constato que perceber as limitações do meu corpo e descobrir potencialidades para as transcender é algo que me desafia e dá prazer! Ainda mais quando isso traz força, flexibilidade, saúde e energia. Existem todas as condições reunidas para fazer da prática apenas mais um vício que quando não satisfeito causa sofrimento, frustração, mau humor e um péssimo bom senso!
Após reflexão e olhando um pouco para o meu curto percurso é notável a transformação física, a consciência corporal, a vitalidade, a força, a leveza, o vigor, energia, saúde e paz interior! Os efeitos são tão positivos, os resultados são tão evidentes que tendo a olhar para a prática como algo sagrado. Mas… o perigo é quando a nossa devoção anda de mãos dadas com esses efeitos colaterais… tendemos a achar que viver num estado de yoga é estender um tapete e praticar!
Se por algum motivo surge um imprevisto, uma situação que quebre a nossa rotina e isso perturbe o nosso sentimento de paz, equilíbrio e harmonia significa que é urgente prestar atenção à nossa relação com a prática e à relação da prática com o yoga.
Foi isso que fiz…e é isso que faço ao escrever estas palavras…refletir sobre a minha atitude auto observando e analisando-me.
Constato que mais difícil do que alcançar um ásana é permanecer em paz, é controlar impulsos, é vislumbrar o que é positivo nas coisas, é ser equânime nas mais diversas situações, é ter o domínio dos sentimentos, pensamentos e emoções, é cultivar princípios e valores superiores! Se por um lado a prática nos pode ajudar a alcançar tal, também nos pode equivocar e enganar!
É importante estar atento!
Agora, e olhando de forma positiva para os últimos acontecimentos foi importante ser protagonista de alguns episódios deprimentes. Isso trouxe consigo evolução, maturidade e transformação!
Hoje estendi o tapete às 6h 36m. A filha acordou às 7h 30m e não foi possível finalizar a prática a que me propus. Perante tal respirei, sorri e agradeci cada momento vivido e experienciado!
domingo, 4 de março de 2012
O que a experiência nos ensina?
O propósito da criação deste blog foi partilhar a minha experiência e aprendizagem, ao longo da caminhada pelas trilhas do yoga.
O nome foi escolhido a pensar num registo diário da minha prática pessoal! Seria interessante poder observar toda a evolução física, mental e emocional. Mas...não é isso que tem acontecido...a minha vivência tem ficado mais pelo pensamento...
Como caminhante principiante por essas trilhas do yoga, sinto várias vezes vontade de ler e ouvir outras experiências! São muitas as sensações ao longo da caminhada! A disciplina, o processo, a dificuldade e exigência levam ao questionamento, desânimo, equivoco, confusão e conflito.
Perceber que não estamos sós, que alguém também vivência tais sentimentos e que é possível transcendê-los ajuda a permanecer, a persistir. Ir ao encontro de conhecimento é fundamental para compreender e responder a cada porquê. Facilmente podemo-nos enganar relativamente ao propósito de cada uma das técnicas que nos permitem alcançar um estado de yoga, um estado de plena consciência do ser, de paz interior, plenitude e libertação.
Vou usar este espaço para expressar e partilhar em palavras simples, o que sinto, penso e aprendo a cada novo dia.
E tu que me lês comenta, partilha, critica.
Acredito na relação de troca, acredito que temos muito a aprender uns com os outros.
E tu que me lês comenta, partilha, critica.
Acredito na relação de troca, acredito que temos muito a aprender uns com os outros.
Namastê!
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