terça-feira, 20 de março de 2018

Pensamentos Soltos # 120

imagem retirada da internet 


A inveja, a cobiça, o ciúme não é mais do que uma identificação com um conjunto de crenças que parecem aliviar a nossa carência e necessidade por nos reconhecermos fontes de amor. 
Esses sentimentos, emoções são a expressão da ignorância que a mente carrega e que a conduz num conjunto de acções e reações que estimulam o jogo de opostos, o conflito interno e a sensação de insuficiência. 
A tendência é querer conquistar, acumular outras coisas, situações, circunstâncias, pessoas, para que possa sobreviver e de algum modo defender-se e proteger-se do choque de dor de se ver e sentir para lá de tudo isso. 
É um processo complexo, visceral, cujo ego é convidado a uma entrega, a um amparo, amor, compreensão, doçura que tem em si associado o vislumbre das dores, traumas, fantasias, ilusões, vícios no qual se estruturou, ganhando a voz e o papel principal.
Profundamente, todas essas emoções são meras crianças feridas que cresceram a olhar o mundo de um jeito muito próprio, único e que o interpretaram à luz do que viram e escutaram ao seu redor. Formaram um conjunto de valores, gostos, aversões que alimentou conceitos e preconceitos de família, amigos, amor, vida, certo, errado, bonito, feio, bom, mau.
Nós, fontes de amor, somos a sua expressão limitada e condicionada. Por essa razão podemos sentir no peito dor, porque ela não é mais do que amor a vibrar. 

Sónia Andrade

domingo, 11 de março de 2018

Pensamentos Soltos # 119

imagem retirada da internet 

Quando decidimos realizar um mergulho profundo sobre nós mesmos, auto-responsabilizando-se pelas suas feridas, dores, traumas, condicionamentos e limitações, saberemos quão complexo e delicado é lidar com essa realidade. Saberemos como estamos carentes de amor-próprio, atenção e cuidado consigo mesmo. Não mais estaremos pedindo ao mundo que alivie os nossos desconfortos e portanto saberemos colocar os nossos limites e procurar uma acção que vá ao encontro das nossas necessidades, momento que vivemos. Não mais queremos desperdiçar tempo em ser agradado ou agradar. Queremos apenas conquistar espaço interno para ser e assim poder permitir de facto que os outros também o sejam. Não é um processo intelectual ou montado à luz de ideais e conveniências. É um processo visceral de quem deseja renascer para aprender a viver com verdade e a morrer com dignidade.
(Sónia Andrade) 


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Uma História de Amor # 5



Meu amor,
Caminhamos lado a lado, de mãos dadas…
Longe de saber quem és de verdade…
E como a cada instante te apresentas diante de mim…
Sei apenas que me roubas um sorriso toda a vez que sinto o calor que sai da tua boca, para sussurrar baixinho ao meu ouvido, um dialecto que não aprendi…
As palavras? Sempre parecem escassas…
O silêncio? Nosso maior confidente…
A força do abraço? Nossa presença…
O sal das lágrimas? Emoções que bailam…
O calor dos corpos? Fogo que queima e transforma…
O êxtase do coração? Nossa ousadia de se largar diante do mistério de nada conhecer ou saber para saborear o doce amargo de viver…

(Sónia Andrade)


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Uma História de Amor # 4



Meu bem,

Aprecio quando chegas com a firmeza, calor, sorriso interno de quem não se abala com os episódios de uma mente em maturação e sentas para escutar, amparar, sem me condenar…

Aprecio o respeito e a doçura, de não te propores a distrair-me… tão pouco minimizar a minha força de levantar, toda a vez que possa cair…

Aprecio a amizade silenciosa, presente que não passa a mão pela cabeça nem ousa dizer que tudo está perfeitamente bem…

Aprecio a compassividade, a disponibilidade dos teus olhos, braços para sentir os meus dramas, fantasias e até mentiras, sem tirar-me a graça…

Aprecio o teu permanente convite para uma dança que me traz o prazer de viver e também a dor de existir…

Aprecio o teu amor incondicional que aquece o peito diante da frustração de sentir, tantas vezes, as nossas mãos e olhar distantes…

Aprecio a tua leveza e doçura que não exige, que não troca, que não domina, manipula…
Porque tu sabes, meu bem…. Que o maior e mais belo jogo de todos os jogos de amor, é desaprender a jogar...

                                          (Sónia Andrade) 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Reflexão # 111 - Mulher Além Da Aparência

imagem retirada da internet 


Vou andando pelo mundo, colocando-me nas experiências, no movimento e chamado do meu coração. Muitas vezes sem mesmo entender, com toda a clareza, o que tem para me contar e revelar. Diante delas posso viver muitas emoções, em relação com outros seres que se apresentam diante de mim como um espelho do tanto que carrego dentro, escondidinho para não doer muito no peito. Tenho visto mulheres muito bonitas, que carregam uma luz no olhar, na pele, nos cabelos, que atraem os nossos sentidos, a nossa vontade de conhecer, de estar perto. Mulheres que parecem leves na vida, que espalham sorrisos, criações coloridas, comidas saudáveis, mães graciosas, modos de vida mais alternativos e desprendidos. Tenho olhado para dentro de mim e questionado o que me passa no pensamento, o que sinto. Vem uma espécie de lamento. Por não ter a beleza física que estereotipei na minha mente, os cabelos e a pele tão brilhantes, saudáveis, o conhecimento intelectual, as experiências, conhecimento das belezas do mundo, os amigos e amigas e por aí vai. Vejo como internamente carrego um patinho feio, que não sabe valorizar os seus atributos, que não sabe se colocar, embelezar. Vejo como carrego o desejo por leveza, cor, suavidade, luz e movimento. Na casa física, na casa interna. Vejo como me julgo de complexa, pesada porque a vida não pode ser assim tão simples. Mas a verdade é que ela pode. Nós só não sabemos. E promover tanta beleza externa, aparente prosperidade, amor, soa a um ataque, estimula o desejo de querer correr atrás daquelas conquistas externas. Pelo caminho tropeçamos, criamos expectativas para Ser o que não somos. Para minimizar as nossas dores, não reverenciar a nossa história, a nossa família, cultura, educação. Talvez até, promover a vitimização para dizer que se tivesse nascido numa outra família, recebido uma outra educação, cultura, pudesse ser tudo aquilo. Como é tão triste viver lamentando o que se foi, o que não se é, repudiando e negligenciando o que é de verdade, dentro de um farrapo de roupa, de um rosto sem maquilhagem, dos cabelos e da pele que envelhecem e do calor que aquece a limitação da nossa mente.
Tem pessoas muito bonitas sim. Que promovem um estilo de vida saudável, a família feliz, as conquistas, as viagens, as realizações e isso inspira, isso nutre um desejo de poder fazer diferente, coloca a pulga atrás da orelha para rever os seus hábitos, escolhas. No entanto, trata-se apenas de uma imagem interpretada à luz dos olhos de cada um. Colocar essa imagem como algo a ser conquistado é um desperdício, porque de verdade estamos a usar erradamente uma energia que poderia servir a um olhar interno e profundo sobre si mesmo. Nada irá brilhar mais do que isso porque é real. Não queremos a vida dos demais, queremos a nossa. Não queremos o sucesso dos demais, queremos o nosso. Não queremos a beleza dos demais, queremos a nossa. Não queremos a paz dos demais, queremos a nossa. Não queremos a alegria dos demais, queremos a nossa.
A vida é breve mas muito longa para quem lhe rouba a possibilidade de se despir de conceitos, preconceitos relativamente a pessoas, situações, circunstâncias. Para quem sofre na estonteante tentativa de encontrar uma imagem, um status, um brilho, uma beleza que só se alimenta de beleza. O bichinho feio e arredio que habita todos nós, estará bem escondidinho, caladinho para não doer muito no peito, à espera de um doce abraço que o reconhece, aceita, leva para brincar e passear. 
HarihOm
Sónia A. 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Uma História de Amor # 3


Olhaste nos meus olhos, seguraste a minha mão e falaste ao meu coração…
Querida, não te desejo uma metade em mim porque és íntegra em ti…
Vem com todas as dificuldades, cuidarei de não abusar das tuas fragilidades…
As cores do teu jardim são obra de arte de uma criação sem fim…
Vem, vamos descobrir o doce perfume daquela flor de jasmim…  

(Sónia Andrade) 

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Uma História de Amor # 2



Talvez tu, meu grande amor...
Te apresentes diante de mim na simplicidade de todas as coisas...
E eu, diante da estonteante complexidade desta mente, tantas vezes absurda,
Te ignore…não te reconheça…
Talvez na pressa dos meus anseios e até na loucura dos desejos…
Oh meu amor! 
Sacia os olhos meus, no vislumbre do brilho teu…
Talvez possa lembrar do que nada se esqueceu…

(Sónia Andrade)