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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Retorno à Inocência... Menina...Minha Menina


Menina… minha menina

Hoje encontrei-te naquele banco verde de jardim
Junto ao bebedouro de água e vaso de jasmim…

Enquanto caminhava podia ver os teus cachos dourados
Entre olhar cabisbaixo e sorrisos envergonhados...

Com pezinhos de veludo aproximei-me de ti
 A todo o momento deste conta de mim…

Ajoelhei-me junto dos teus joelhos e toquei-os com os meus dedos
Levantei o teu rosto para que me olhasses sem medos…

Menina assustada…
Menina aprisionada…
Menina amor…
Menina vida…
Menina esquecida…
Menina perdida…

Perguntei como te sentes
Mas as palavras estiveram ausentes…

Com doçura agarrei a tua mão e levei-te a passear…
Tanta cor, tanta flor, tanto pássaro a cantar…
O teu sorriso, o teu olhar, o teu coração a brilhar…

Vamos correr com as borboletas
Entre estas flores violetas?
Vamos saltar, cantar, rebolar
Para sempre recordar?
E que tal dançar?

Menina… minha menina… não mais estás sozinha…
Menina… minha menina… chora em minha companhia…
Menina… minha menina… dou-te a minha mão…
Apresenta-me o teu coração…
Mostra-me a tua voz…
Não mais serei atroz…

(Sónia Andrade)




quinta-feira, 3 de abril de 2014

Descobrindo o Amor...


O arco íris é um fenómeno meteorológico muito bonito de se observar, que acontece quando num céu carregado de nuvens escuras e chuva, os raios de sol brilham. Ontem enquanto olhava isso e via a criança que coloquei no mundo, correr de felicidade por sentir a chuva no seu rosto, pensei “como não vivenciar, perceber, sentir e entender a beleza de Ser e Existir?” Tal questão fez-me reflectir no quanto caminhamos em sentido contrário. Crescemos e vivemos querendo ser tudo, ignorando que o tudo já É. Crescemos e vivemos de olhos bem fechados para a nossa realidade… a realidade que faz de nós um ser humano. E deste modo, convencidos por fictícios conceitos de humanidade, amor, lealdade, felicidade, vamo-nos afastando mais e mais de nós, dos outros e da possibilidade de vislumbrar o que é Ser. Mas… nada pode impedir a nossa natureza de ser porque ela não é separada do Ser… e lá nas profundezas continua a querer se revelar, manifestar, gritando por atenção, acolhimento e amor. Neste intervalo entra em cena a mente…criando e recriando as mais sofisticadas formas de atender a necessidades, que ao contrário, não se criam apenas são! Paralelamente e inebriada em princípios e valores montados em e por conveniências sociais, politicas, religiosas, menosprezando o mais simples, espontâneo, belo e natural em nós, entra nas mais tenebrosas guerrilhas, conduzindo o individuo à lama, à dor, ao sofrimento. E assim se vai andando, correndo contra o tempo, tentando a todo o custo consumir o que, equivocadamente, julgamos ser fonte de felicidade, plenitude. De tanto cansaço nos desesperamos, porque efectivamente nada tem capacidade de nos fazer sentir completos, inteiros e plenamente felizes. Isso é obra de quem ousa despir-se de tudo aquilo que criou em volta de si… de quem questiona criticamente sentimentos e emoções, de quem corajosamente se olha com verdade, honestidade, de quem humildemente se entrega ao genuíno interesse de se ver… conectar-se com o mais íntimo de si, aceitando, abraçando e amando a condição que faz de nós um ser que sente, que ri, que chora, é caminhar em direcção ao vislumbre do que existe de mais grandioso e belo: o Amor.
Vale a pena olhar além o céu carregado de nuvens negras e chuva intensa… por detrás sempre estará raios de sol que brilham… e se por ventura teimamos em não querer ver, sempre pode aparecer as cores do arco íris para nos fazer lembrar.

Om

Sónia