segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Reflexão # 73 - O Aparente...

imagem retirada da internet 

É muito comum olhar para a vida do outro e criar fantasias que nos levam por muitos caminhos. O poder de uma imagem, atitude, posição, cor, som, beleza, ritual, método, conduz a nossa mente numa busca, estimulando desejos profundos que contribuem para o resgate de força, motivação inatos. Por vezes deixamo-nos ficar na superfície do fenómeno, avaliando meras aparências, comparando, competindo, auto julgando-nos de muito inteligentes e especiais ou de pobres criaturas privadas de recursos, oportunidades, beleza, prosperidade, como se o direito à vida alinhado com sonhos, paixões, amor e riqueza apenas estivesse ao alcance dos bem-aventurados, iluminados, que conquistando-se a si, conquistam o mundo.
Se ousarmos investigar o fenómeno em nós, questionando o que uma imagem, aparência, palavra, conteúdo, pessoa, situação, circunstância desperta, surpreender-nos-emos com o tanto que nos habita, escondido, omitido, esquecido, negligenciado e disfarçado por tanta máscara.   
A vida é um grande sonho onde se montam tantos e outros pequenos grandes sonhos. O mundo, pessoas, situações, circunstâncias, imagens inspiradoras, ou não, emprestadas à nossa mente para que faça um caminho, processo, descoberta. Meras passagens cinematográficas capazes de nos falar da humanidade que carregamos, da forma e expressão de um amor, inteligência, sabedoria que nos permite toda esta dinâmica existencial.
Está tudo certo e dentro de uma ordem perfeita, o momento onde estamos, para onde queremos ir, o que vivemos, o que gostaríamos de viver, os obstáculos, as dificuldades, o passado, as dores, as feridas, o perdão e a ausência de perdão, a ignorância, os desejos, as emoções, as fantasias, as paixões, o cansaço, a exaustão.
A vida é um pé no desconhecido, uma melodia infinitamente escutada pela primeira vez, um passo de dança que se aprende a todo o momento. São infinitas as possibilidades, oportunidades, escolhas. Não há o certo ou o errado, o bonito e o feio, o melhor ou pior. Há uma manifestação e expressão permanente do mais belo e amoroso que nos habita e nos impulsiona a contar uma história, que mesmo sendo triste, dramática e munida de um peso extra, é bela, profundamente bela.
Então, que possamos nos conectar a essa inteligência maior, a essa visão mais ampla de nós e seguir fluindo ao ritmo de um devir que nos presenteia a todo o momento com conhecimento e oportunidade de amadurecer.
Que o mundo, pessoas e suas histórias possam servir de espelho, ao invés de um constante e permanente lamento ou até mesmo cobiça. Que possa olhar para além de todas as formas de ver e sentir, permitindo uma liberdade interna para trazer à tona todas as emoções que se queiram manifestar. Nenhuma delas é boa ou má… nenhuma delas de verdade carece de qualquer tipo de máscara, nome, explicação, justificativa… elas são e apenas nos pedem espaço, disponibilidade, amor, carinho, doçura e atenção plena.
HarihOm
Sónia A.

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